>>Homem de Ferro

Começou o verão americano oficialmente. A parte interessante é que esse verão começou antes no resto do mundo e nos Estados Unidos começou hoje às 8 da noite com a estréia de Homem de Ferro.

Homem de Ferro conta a história de Tony Stark, um bilionário bon vivant que, não por acaso, é o dono da Stark Industries, a maior companhia armamentista do mundo.

Stark é um desses símbolos pop, ele é um cara charmoso, excêntrico e brilhante, assim como Howard Hughes, personalidade que inspirou a criação do personagem Homem de Ferro, que como aponta Robert Downey Jr. em certa altura do filme, não é de ferro e sim de platina.Jon Favreau [Um Elfo em Noa Iorque] dirigiu um roteiro que tentou fugir dos maiores clichês das últimas adaptações de super-heróis, mesmo tendo que ser subserviente ao modelo, ele moldou a fita a sua visão. E deu certo.

A primeira hora não tem nenhum parente morrendo e criando a sede por justiça, ao invés de vingança. Temos um bilionário com sede dos melhores scotchs, das mulheres mais gostosas e de outros prazeres menores do mundo. A história de Tony Stark começa no Afeganistão, onde ele irá fechar mais um negócio triliardário com o exército americano e para demonstrar sua nova criação, o míssil Jericho. Porém, a festa acaba rápido, em uma emboscada relâmpago, onde Stark é mortalmente ferido.

Quem conhece o personagem sabe que ele é mais Batman que Superman, mas não por ele ser fedido de rico e sim por não ter absolutamente nenhum poder. A escalada dele começa aí, como eu disse, Stark foi mortalmente ferido e para manter-se vivo um médico cria um mecanismo magnético para repelir os estilhaços da bomba que quase o matou, longe de seu coração.

Os bandidos que prenderam Tony Stark, de uma facção fictícia, fazem um vídeo com ele como refém e exigem que ele construa uma bomba para eles. É a era da técnologia, antes os sequestrados geravam fundos, agora são mão de obra. Afinal, pra que perder tempo com os caras que acham que sabem fazer alguma coisa, pega o cara que sabe de uma vez, pô! Assim, sem mais opções, Stark cria o uniforme de Homem de Ferro BETA pra fugir do seu cativeiro.

O bilionário beberrão tem uma revelação, depois de ser mantido como refém por meses e ver as armas que sua empresa constrói matando os soldados que prometeu defender: não vou mais fazer armas! Chega! Daí somos apresentados ao ótimo Jeff Bridges como Obadiah Stane, o mentor de Tony Stark e melhor amigo do pai de Tony.

Sempre que Jeff Bridges entra em cena ele parece cortar a cabeça de Stark com lasers que saem de seus olhos e parece querer estraçalhar a carcaça dele toda vez que lhe dá um abraço, ainda assim ele usa frases como “se cuida”, “vá com calma” e coisas assim. Ele não está nada feliz com a mudança súbita da empresa e promete tomar conta de tudo. Ainda temos no filme Gwyneth Paltrow como Pepper Potts, a inseparável assistente de Stark, sempre irreverente, e o Terrence Howard como o cômico/crítico/sidekick/wingman/amigo para todas as horas, Rhodey.

A primeira hora do filme, apesar de ter apenas uma cena de ação com o Homem de Ferro 1.0, é pura diversão. Tudo culpa de Robert Downey Jr e dos roteiristas que não se limitaram a deixar um roteiro cheio de clichés e chavões e criaram sim, um roteiro com diálogos divertidos e rápidos, tudo a ver com a personalidade de Stark e que RDJ vestiu como uma segunda pele.

Mesmo assim, faltou, por incrível que pareça, mais substância nessa sopa, o filme tem um roteiro redondo, atuações sólidas para um filme do gênero e efeitos especiais a altura do desafio, mas eu sinto que o climax foi deixado um tanto de lado. Os personagens foram meticulosamente construídos, assim como a armadura do Homem de Ferro, mas não conseguimos ver todo o seu potencial nessa primeira aventura. Quem sabe da próxima vez?
Rating: ★★★★☆

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