>>Questionário: Entrevista com Fábio Bracht do Continue

interview-copy.jpg

O Continue é um blog noobie na Internet [está no ar há cerca de 4 meses], diferente de Fábio Bracht [criador do blog] que já trabalha como escriba há um bom tempo. Porém, no Continue ele não está sozinho, ainda temos o Luiz Eduardo Freitas (Lef) e o Felipe Dal Molin (Lipedal) e por último, mas não menos importante o Vinicius Silva, que é o colunista responsável pelos games indies. O blog Continue é bem legal, já linkei os caras várias vezes aqui no Speakorama, quer dizer, se você for um leitor assíduo e se curte games, você tem que tá ligado nesse blog. Sério. A entrevista com ele está na continuação.

Speakorama - Esse é o seu primeiro blog? Você participa de outros blogs?
Fabio Bracht - Nossa, já tive muitos blogs. Comecei o A Nível de Myself, um blog pessoal, estilo “diarinho” mesmo, que teve três versões e existe até hoje, apesar de eu postar nele só quando o cometa Halley passa. Tenho também o 16-BIT, que foi onde eu comecei a escrever só sobre games. Ele abriu muitas e muitas portas para mim e serviu como portifólio para todas as boas oportunidades que eu tive, sem contar que foi lá onde eu conquistei os meus primeiros leitores. Teve um blog que foi meio que uma história engraçada, o Jornalismo de Games Futuro. O Fabio Santana, que na época era editor da revista EGM Brasil, resolveu montar um blog colaborativo onde os jornalistas e alguns freelances da (Editora) Futuro escreveriam sobre o próprio jornalismo de games que faziam. Eu era freela deles, então participei. A idéia foi ótima e eu sempre achei que dali sairiam coisas muito interessantes, mas o blog simplesmente afundou depois de um tempo, por vários motivos externos, e está lá, esquecido até hoje. Eu também tive — ou participei de — mais uma meia dúzia de outros blogs que ou eu não lembro eu morreram tão rápido que nem valem a pena ser citados.


Speakorama - De onde surgiu o nome do site? Qual sua inspiração?
Fabio Bracht - Cara, escolher o nome do site foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz em toda a minha vida. Foram páginas e páginas de rabiscos com idéias que iam do terrível ao vergonhoso. Os pouquíssimos que eu gostava não tinham domínio .com.br disponível. Eu já estava quase desistindo, então apelei pro último recurso: um nome que eu não havia inventado. Alguns amigos meus e colegas blogueiros (do Hadouken) fizeram, em seu trabalho de conclusão da faculdade de Jornalismo, o projeto experimental de uma revista chamada Continue. Eu adorei aquele nome desde a primeira vez que ouvi, e a revista em si também ficou incrível (você pode vê-la aqui). Como já fazia um tempo que eles haviam lançado essa “edição zero” da revista e o projeto não havia mais andado, eu humildemente mandei um email para todos os envolvidos no projeto, perguntando se eu podia usar o nome “Continue“, já que ele estava inacreditavelmente com o domínio .com.br disponível. Eles, gente-fina que são, concordaram. Já agradeci várias vezes e aproveito a oportunidade pra agradecer de novo, caso eles estejam lendo.

Speakorama - Todo mundo fala que é impossível fazer dinheiro com blogs. O que você acha do mercado atual de blogs?
FB - Ei, existe um “mercado de blogs” e ninguém me falou nada?! Brincadeiras à parte, mas a verdade é que eu nunca ganhei um centavo com nenhum dos meus blogs, e nunca tentei mesmo. Sei que existem vários blogueiros que ganham (inclusive alguns que ganham realmente bem) e acho que todos eles merecem cada centavo. Porque para se ganhar dinheiro, o seu blog precisa ter muitos leitores, e para ter muitos leitores é preciso ter um blog muito bom. Um dia a gente chega lá.

Speakorama - Qual a sua maior referência na blogosfera? Você usa esse termo?
FB - Eu uso o termo blogosfera, mas só porque simplesmente não há outra palavra para se descrever o conjunto de blogs “maiores” que existem no Brasil. Se bem que também não tenho nada contra o termo… Sei lá, nunca questionei muito isso. A minha maior referência não vem da blogosfera brasileira. É o blog americano Destructoid. Quem conhece o Destructoid e o Continue consegue enxergar alguns paralelos, especialmente em termos de formatação. O fato de cada post, sempre que possível, começar com uma imagem e uma legenda que tenta ser engraçadinha, por exemplo. Peguei de lá, porque muitas vezes as imagens são mais engraçadas que os próprios posts. Sem contar que é uma ótima maneira de mostrar ao olho do leitor onde começa cada post quando ele está dando só uma “scrollada” pela página.

Speakorama - O que esperar do Continue em 2008?
FB - Que ele não morra! Hahaha! Na verdade não, o Continue não vai morrer. Isso eu posso prometer. O que eu espero do Continue este ano é que a gente consiga mais colaboradores, mais colunas semanais, conteúdo próprio que fuja das “notícias comentadas”. Pretendo começar assim que possível a trazer reviews para os leitores (só preciso achar alguém possa fazer reviews de jogos de Xbox 360 e/ou PS3…). Fora isso também tenho algumas surpresas na manga…

Speakorama - Se o Continue tivesse uma trilha sonora, que artistas estariam nela?
FB - Perguntinha abstrata da porra, hein? Não sei se eu posso simplesmente colocar as minhas bandas favoritas aqui, porque elas não seriam necessariamente as bandas favoritas do Continue, no pensamento abstrato dele ser uma entidade com gosto musical. Acho que ele gostaria de Cake, Muse, Pato Fu, Foo Fighters, Réu e Condenado, Relient K e até Mamonas Assassinas! Mas em uma ou duas semanas ia mudar tudo.

Speakorama - Você acha que o número de assinantes de feed é documento?
FB - Na real eu nem sei quantos assinantes de o Continue tem. Da última vez que eu olhei, e faz algumas semanas, tinha uns 100. Eu acho legal ver e tal, mas definitivamente o meu objetivo não é que o Continue seja lido, mas sim que seja comentado. Atualmente a gente tem uma média de uns 10 comentários por post, e eu acho isso ótimo para o tempo de vida do blog. Mas eu sonho em ter 50, 80, 100 comentários, como os grandes blogs estrangeiros têm muitas vezes. Esse é o objetivo. Causar discussão, ter uma comunidade unida e participativa. Até alguns trolls.

Speakorama - Se o Continue fosse um animal, que animal seria esse?
FB - Ah, meu. Sei lá. Uma coruja? Um ornitorrinco? Um Equidna? Qualquer um desses.

Speakorama - O que vem primeiro em você: o jornalista ou o blogueiro?
FB - O blogueiro vem tão antes que o jornalista ainda nem chegou. Me ligou no celular e disse que está trancado num engarrafamento mosntro e vai chegar daqui a uns 5 anos, quando eu terminar a faculdade que ainda nem comecei.

Speakorama - Quantos blogueiros são necessários para trocar uma lâmpada?
FB - Um só, desde que não seja eu. Odeio trocar lâmpada.

Speakorama - O que você espera da Web 3.0?
FB - Que tenha outro nome.

Speakorama - A web hoje é o quintal do usuário, todo mundo pode fazer o que quiser e criar o quanto puder. Esse é o caminho do futuro da Internet onde o usuário pode controlar cada vez mais e criar o conteúdo que ele quiser ou isso é tendência?
FB - Esse é o caminho do futuro, mas não é o único. A internet não é um ambiente onde um comportamento novo substitui um velho (que tenha funcionado bem). Vai chegar uma época em que isso de conteúdo gerado por usuário vai ser tão banal e normal que nós vamos estar olhando para outras novas tendências enquanto criamos conteúdo. Se é que já não chegou.

Speakorama - O Google ainda irá dominar o universo ou pelo menos mudar ainda mais o nosso estilo de vida. Você é pró-Google ou anti-google?
FB - I’m a Google’s bitch. Praticamente tudo que eles já lançaram eu já experimentei e enchi o saco dos amigos pra experimentarem. Não sei o que seria da minha vida sem o GMail, o Google Reader, o Google Docs…

Speakorama - Qual é a identidade do Continue, o que faz ele diferente dos outros?
FB - O Continue não nasceu com uma identidade. Ele nasceu com um pequeno conjunto de comportamentos que a gente costuma seguir, mas identidade é uma coisa que vai sendo construída aos poucos, enquanto a gente vai conhecendo o leitor e vendo o que ele gosta e o que ele não gosta. Mas, assim por cima, dá pra dizer que a identidade do Continue é dar notícias com opinião, na linguagem do leitor, sem se preocupar com linhas editoriais rígidas, fórmulas para escrever e coisas assim. Vai ter gente que vai achar isso errado e não vai gostar do site, mas eu aposto que vai ter ainda mais gente que vai adorar.

Speakorama - Você precisa de inspiração para criar um post ou isso é lenda?
FB - Pra criar um post eu só preciso do Firefox e do Photoshop. Inspiração é legal, e quando ela aparece eu consigo escrever umas coisas mais legais do que o normal, mas ela não é necessária. Se fosse, seria um desastre! Afina, quantas pessoas tu conhece que se sentem inspiradas para fazer a mesma coisa todos os dias? Acho que muito mais importante que inspiração é bom humor. Eu escrevo bem melhor quando acabei de dar uma risada animal de alguma coisa ou conversar com alguém engraçado.

Speakorama - Precisa de quantos créditos para acessar o Continue?
FB - Hã?

Speakorama - Imagine isso: para ganhar audiência os blogueiros entraram em um torneio chamado de Street Blogger. Quem você enfrentaria primeiro? Com que personagem você jogaria?
FB - Eu enfrentaria primeiro o Judão. Eu acho o Judão legal pra caramba, e eles estão em uma posição em que eu quero chegar. Então vencê-los em uma competição qualquer seria legal, mas provavelmente o Continue perderia horrendamente. E eu não respondo que personagem escolheria porque tu não especificou quais personagens estão disponíveis. :P

Speakorama - Se uma figura histórica pudesse blogar, quem você pensa que seria um ótimo blogueiro?
FB - Depois de pensar 0.42 segundos, eu respondo em negrito: Douglas Noel Adams, o autor da série O Guia do Michileiro das Galáxias. Ele não é uma figura histórica para o mundo, até porque morreu em 2001, mas é pra mim.

Speakorama - Recentemente um grupo de blogueiras, depois de muito boca-a-boca, acabou se destacando e aparecendo na Playboy. Você acha que os blogueiros devem criar uma campanha para aparecer na G?
FB - CruzcredoDeusmelivreguardeAleluiairmãos.


Speakorama - Quais as suas expectativas para o futuro do Continue? O que você estará blogando em 5 anos?
FB - Er… eu já não respondi a esta pergunta? Bem, daqui a 5 anos eu espero estar… bah, não sei. Me pergunta daqui a quarto anos, pode ser? :D

Speakorama - Quem é o leitor do Continue? Alguma pérola de sabedoria para os seguidores do Continue?
FB - O leitor do Continue é o carinha ou a menina mais antenado na blogosfera (viu como eu uso o termo?) e no que se escreve sobre games em português na internet. Até porque o Continue ainda não está famoso. Se tu pegar a audiência do UOL Jogos e perguntar, no máximo uns 10% vai saber o que é o Continue. Ainda não somos mainstream.

Speakorama - Por onde anda o Baby Betinho?
FB - Abriu uma mercearia em Birigui, comprou três máquinas de Street Fighter de rodoviária e hoje só come, dorme e espera lançarem Street Fighter IV.

Speakorama - Com o sucesso de alguns blogs, inevitavelmente nasceram os blogstars. Muitos puristas criticam as atitudes de certos blogueiros por usarem seus blogs como catapulta para o sucesso. Quem você acha que são os atuais blogstars brasileiros? Você conhece algum blogueiro que está nessa pela fama e dinheiro?
FB - Em primeiro lugar, blogueiro nenhum conhece fama: existe a microfama, que é a fama dentro do círculo de leitores. O blog mais conhecido do Brasil deve ser o Kibeloco, mas sai na rua e pergunta pras pessoas se elas sabem quem é Antonio Tabet. Não vão saber, e olha que ele trabalha para a Globo. Então não rola isso de fama, no sentido tradicional da palavra. No entanto, como eu já disse em outra resposta, quem se dá bem nesse “mercado” é porque fez um bom trabalho e mereceu. E eu, pessoalmente, não conheço ninguém que tenha começado e ido longe sem ser por uma genuína vontade de escrever e entreter os leitores.

Entrevista realizada no dia 22 de janeiro de 2008.

Comente Aqui