>>Diário dos Mortos

Diário dos Mortos é a nova produção do revolucionário diretor George Romero e um novo episódio na sua saga dos mortos-vivos. Romero sempre faz de seus filmes uma crítica a sociedade disfarçada de filme de terror, pô, automatos em shopping centers e um querendo comer o cérebro do outro? Coisa de gênio. Em Diário dos Mortos, Romero ataca a agressividade da geração Internet e a insistência em mostrar tudo em primeira mão.
Eu sei, não foi a geração da internet que inventou isso, mas com a história de jornalismo cidadão, fenômenos como YouTube e outras fanfarras assim, a agressividade da mídia só aumenta.
Diário dos Mortos é filmado assim, como um filme dentro do filme, mas não realmente dentro do filme. Vê, o filme dentro do filme está sendo criado, então somos espectadores dos espectadores dos criadores. Entendeu?
Romero produziu o filme nos moldes de A Bruxa de Blair e Cloverfield, com os personagens filmando tudo, porém, o seu esforço em deixar tudo real, assim como nos filmes supracitados, fracassa totalmente.
Quem em sã consciência iria filmar tudo em uma catástrofe dessa natureza? Repórteres de guerra, talvez? Talvez. Mas mesmo eles não fariam tudo tão ensaiado e pavorosamente falso.
Enfim, não dá pra se focar nessa aspecto, pois o lance todo do Romero é mostrar como as pessoas estão ensandecidas com a nova tecnologia e toda a sua raiva contra os novos padrões.
Mesmo assim, ele consegue, catequizando e tudo mais, tirar uma onda dele mesmo com auto referências e auto depreciação. O velho manja.
Como ele mesmo sempre nos lembra, a idéia de zumbis correndo é ridícula, pois suas pernas quebrariam, mas tenho certeza que nem isso é suficiente pra parar a saga dos mortos vivos tão cedo.
Originalmente publicado em 12 de agosto.
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